Este artigo tem o objetivo de comparar algumas prescrições normativas que envolvem bandejas e eletrocalhas
ED.56 - Setembro de 2010
Por Hilton Moreno
O Anexo B da citada norma apresenta ainda alguns desvios referentes aos termos definidos que são de uso corrente no Brasil. No caso da bandeja, este anexo diz que “no Brasil é usual utilizar-se o termo ‘eletrocalha’ para designar ‘bandeja’ (que seria, então, uma eletrocalha sem tampa)”.
“Eletrocalha: elemento de linha elétrica fechada e aparente, constituído por uma base com cobertura desmontável, destinado a envolver por completo os condutores elétricos providos de isolação, permitindo também a acomodação de certos equipamentos elétricos”. E uma nota do Anexo B da norma completa diz que “a base e a cobertura da eletrocalha podem ser lisas ou perfuradas”.
A partir dessas definições, fica claro que a diferença construtiva básica entre bandeja e eletrocalha é a presença da tampa desmontável na eletrocalha. Esta tampa faz com que a eletrocalha seja considerada um conduto fechado, enquanto a sua ausência torna a bandeja um conduto aberto. Com isso, de acordo com a Tabela 33 da ABNT NBR 5410 e as prescrições específicas de 6.2.11, em eletrocalhas podem ser instalados condutores isolados, cabos unipolares e cabos multipolares, enquanto, nas bandejas, somente são permitidos cabos unipolares e cabos multipolares.
Outra diferença que a presença ou não da tampa provoca entre bandejas e eletrocalhas é relativa à capacidade de condução de corrente dos condutores instalados nestes condutos. Conforme a Tabela 33, na coluna “Método de referência”, diferentes “letras” (que correspondem a colunas de capacidades de corrente nas tabelas 36 a 39) são atribuídas aos casos que envolvem bandejas e eletrocalhas. Assim, por exemplo, o método de instalação 13 da Tabela 33 indica os métodos de referência E e F para cabos multipolares e unipolares instalados em bandeja, respectivamente. E os métodos de instalação 31 e 32 indicam os métodos de referência B2 e B1 para cabos multipolares e unipolares instalados em eletrocalha, respectivamente. Consultando as Tabelas 36 a 39, observa-se que as capacidades de condução de corrente para os métodos B1 e B2 são sempre menores (em torno de 15%) do que para os métodos E e F, como segue:
Seção nominal (mm2) |
Capacidade de corrente em bandeja – 3 condutores carregados |
Capacidade de corrente em eletrocalha – 3 condutores carregados |
Corrente eletrocalha – Corrente em bandeja |
2,5 |
24 |
21 |
88% |
4 |
33 |
28 |
85% |
6 |
43 |
36 |
84% |
10 |
60 |
50 |
83% |
16 |
82 |
68 |
83% |
25 |
110 |
89 |
81% |
Média |
84% |
Ainda sobre a capacidade de corrente, na Tabela 33, método de instalação 13 relativo ao emprego de bandejas perfuradas, existe a referência à nota 4, que prescreve o seguinte: “a capacidade de condução de corrente para bandeja perfurada foi determinada considerando-se que os furos ocupassem no mínimo 30% da área da bandeja. Se os furos ocuparem menos de 30% da área da bandeja, ela deve ser considerada como ‘não perfurada’”.
Em primeiro lugar, é importante esclarecer que esta nota se aplica unicamente ao caso de bandejas perfuradas (sem tampas) e não se aplica a eletrocalhas perfuradas (com tampas). A propósito, não existe na Tabela 33 e, consequentemente, nas tabelas
36 a 39 nenhuma diferenciação entre eletrocalhas perfuradas e não perfuradas (lisas). Ou seja, a capacidade de condução de corrente em ambos os casos é considerada a mesma e a escolha entre um tipo ou outro de eletrocalha deve ser feita com base em outros fatores (peso, preço, montagem, etc.) que não aquele relativo à seção dos condutores no interior da eletrocalha. É conveniente prestar atenção na escolha de eletrocalhas perfuradas nas situações em que a emissão de fumaça e gases dos cabos em seu interior for um fator importante, particularmente nas situações de influências externas BD.
Em segundo lugar, para o correto atendimento da prescrição contida na nota 4 mencionada é fundamental conhecer o percentual de ocupação dos furos da bandeja que se pretende especificar/utilizar numa dada situação.
Note-se que considerar a bandeja perfurada ou não perfurada (lisa) num dimensionamento significa utilizar, respectivamente, os métodos de instalação números 13 ou 12 da Tabela 33, que indicam os métodos de referência E/F e C das Tabelas 36 a 39. Nestes casos, as capacidades de condução de corrente para as mesmas seções nominais são menores no método C do que nos E/F, levando, em alguns casos, ao emprego de condutores de maior seção para uma mesma corrente de projeto.